O argumento que sustenta a revolução dos Satélites de Baixa Órbita (LEO - Low Earth Orbit) é o fim definitivo da exclusão geográfica imposta pela infraestrutura terrestre. Tradicionalmente, satélites de comunicação (GEO) operam em altitudes de 36.000 km, o que impõe uma latência física proibitiva de cerca de 600ms, tornando-os inúteis para aplicações interativas e corporativas modernas.
Os satélites LEO, operando entre 500 e 2.000 km, reduzem essa latência para patamares de 25ms a 50ms. Não se trata apenas de "internet para lugares remotos", mas de uma nova camada de backhaul global que compete diretamente com o cabo submarino e a fibra óptica em termos de alcance e resiliência.A primeira linha de raciocínio foca na conectividade de missão crítica em qualquer ponto do globo. Para setores como agronegócio, mineração, exploração de energia e logística marítima, a rede sempre foi o limitador da automação. O argumento técnico é que as constelações LEO, como a Starlink ou a Kuiper, funcionam como uma rede de malha (mesh) no espaço. Isso permite que uma mineradora no meio da Amazônia ou um navio no Pacífico operem com sistemas ERP em nuvem e videoconferência em tempo real, sem a necessidade de instalar quilômetros de cabos caros e vulneráveis. O satélite deixa de ser o "último recurso" e passa a ser o elo principal da estratégia de continuidade de negócios para empresas com ativos distribuídos.
Em segundo lugar, as redes LEO introduzem uma redundância imune a desastres terrestres. Cabos de fibra óptica são vulneráveis a cortes acidentais, atos de sabotagem e desastres naturais. O argumento é de resiliência de infraestrutura soberana: em caso de rompimento de um cabo submarino ou falha massiva em um backbone terrestre, a rede de satélites LEO mantém o tráfego de dados fluindo via lasers de comunicação inter-satelital. Isso cria um plano de contingência que não depende da infraestrutura física do país ou da região, garantindo que a rede corporativa permaneça ativa independentemente de crises locais.
Além disso, as redes LEO estão se integrando diretamente aos protocolos de telefonia celular através do Direct-to-Cell. Isso permite que smartphones e dispositivos de rede padrão se conectem ao satélite sem a necessidade de antenas parabólicas complexas. O argumento estratégico aqui é a onipresença do dado: a rede de computadores expande-se para além das paredes do escritório e das torres de celular, englobando cada metro quadrado do planeta. Isso viabiliza a telemetria global em tempo real para ativos que antes eram "caixas pretas" informacionais enquanto estavam em trânsito por áreas remotas.
Concluindo, ignorar as redes LEO como um componente sério do design de redes corporativas é um erro de visão de longo prazo. Elas representam a democratização da conectividade de alta performance, removendo a geografia como variável no planejamento de TI. As organizações que integrarem o backhaul satelital em sua arquitetura de rede SD-WAN terão uma infraestrutura verdadeiramente global, resiliente e capaz de suportar operações em fronteiras que a fibra óptica jamais alcançará.
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